Contos e Histórias: Margot Fonteyn

Olá, tudo bem?

Toda terça falaremos sobre alguma curiosidade, fato histórico ou personalidade da dança.

Para darmos início à este projeto, começo com a estrela da Royal Ballet, Margot Fonteyn.

Margot Fonteyn na infância – Foto: site Royal Academy of Dance

Margot Fonteyn nasceu em 18 de maio de 1919, na Inglaterra e seu nome de batismo é Margaret Evelyn Hookham. Sua mãe, filha de brasileiro, a encorajou a começar seus estudos no Ballet clássico aos quatro anos de idade. Sua infância foi dividida entre a Inglaterra, América e China e depois de trabalhar a dança com Gontcharov e Astafieva, ela se junta à Vic- Wells Ballet, onde aos 16 anos, dança seu primeiro papel principal como Odile/ Odette no Lago dos Cisnes. Em 1946, quando a companhia foi realocada para a Royal Opera House, Margot performou como Aurora, em A Bela Adormecida.

De acordo com o livro Ballet, The Definitive illustrated book, Margot tinha um apelo e uma personalidade que eram perfeitas para o ballet. Era uma bailarina excepcional, se tornou a bailarina favorita inglesa e quando a companhia visitou Nova York, em 1949, ela conquistou os corações dos americanos também e se tornou a primeira bailarina a ser capa da revista TIME.

Capa da revista TIME – reprodução Google

Aos 42 anos, quando Margot já dava indícios de uma aposentadoria, ela dança com Nureyev, performando Giselle em 1962 e se tornaram a maior parceria no ballet clássico. Com esta parceria, Nureyev estende a carreira de Margot em mais quinze anos.

Margot continuou sua carreira até os 60 anos, muito por conta de seu marido Tito, que havia levado um tiro que o deixou em cadeira de rodas. Assim que se aposentou, foi nomeada como Prima Ballerina Assoluta, a única na The Royal Ballet com este título.

Margot Fonteyn em O pássaro de Fogo – reprodução google

Após sua aposentadoria, Margot se muda para o Panamá, onde viveu seus últimos anos de vida ao lado de seu marido, Tito.

Um dos papéis mais emblemáticos de sua carreira, sem dúvida é Odette/ Odile em Lago dos Cisnes, onde fez par com Nureyev em 1951. O livro Dictionnaire du Ballet mostra como Margot era uma pessoa de extrema elegância, educada, com muita ternura e que foram expressas maravilhamente em papéis em ballets como Nocture, The Wise Virgins, Symphonic Variations e Cinderella.

Margot Fonteyn é uma das maiores estrelas da história do ballet clássico e conforme citado no livro Dictionnaire du Ballet, ela é o coração do classicismo. Ela envolve com sua coordenação os movimentos de cabeça, dos braços e do seu tronco, é uma lição sobre a natureza da arte.

Veja aqui mais algumas fotos sobre a vida desta estrela do ballet clássico:

Gostaram de ver um pouco mais sobre Margot Fonteyn?

Beijos e até a próxima!

Fontes: Dictionnaire du Ballet Moderne (1957) e Ballet, The Definitive illustrated book. (2018)

Como realizar exames da RAD (Royal Academy of Dance)

Olá!

“A Royal Academy of Dance é uma das mais influentes organizações de educação de dança e treinamento do mundo, com sede em Londres. A patrona é Rainha Elizabeth II e a presidente é a Dama Darcey Bussel.” A RAD inicia seus trabalhos em 1920, como Associação de professores de dança operática na Grã-Bretanha. Com Adeline Geneé escolhida como primeira presidente, a associação lança seus primeiro syllabus no mesmo ano e seus primeiros exames em 1921. – (fonte: RAD website)

Alunos prontos para Dança Caráter – fonte Site Royal Academy of Dance- reprodução

Sempre estudei sobre metodologias de ballet clássico, e a RAD sempre foi minha favorita para ensino e treinamento. A escola inglesa foca na mecânica do movimento e como cada parte do corpo pode ser sua aliada na hora de executar um passo de dança. Os braços são ponto forte desta metodologia, e que se trabalhados de forma correta garantem equilíbrio, sustentação e melhora na qualidade de giros e saltos.

Eu, depois que passei por alguns exames da Royal, percebi a melhora na minha qualidade técnica e aprendi a usar melhor meu corpo durante os movimentos. A experiência de fazer um exame da Royal é única e inesquecível, pois existe uma preparação longa e com muito cuidado, para que sejam avaliadas não somente qualidade da dança, mas também músicalidade, expressão e etc.

Mas como posso me inscrever e estudar para exame da RAD?

Primeiramente, entre no site da RAD e verifique uma escola registrada que seja próxima a você. Feito isso, entre em contato com a escola para saber quando será o próximo exame (a RAD costuma oferecer duas datas no ano, uma no primeiro e outra no segundo semestre).

Agora chegou o momento de verificar qual seu nível técnico! Converse com sua professora, assista à videos e alinhe seus objetivos para o exame. Você bailarina adulta também pode fazer! A RAD não delimita idade máxima para os grades, somente idade mínima.

Os exames são separados nos seguintes níveis:

1- Dance to your own time: Indicado para crianças de 2 1/2 a 5 anos – Que na verdade, são aulas demonstrativas e não exames. As crianças dançam em seu próprio ritmo onde o professor conduz a aula e os pais podem assistir.

Royal Academy of Dance- reprodução

2- Graded Syllabus (pre primary, primary in dance e grades 1 até 8) – Para o pre primary e primary in dance, as crianças devem ter idade superior a 5 anos. Neste caso, já possui avaliação com exercícios lúdicos (são lindos) e que trabalham além das técnicas de dança, habilidade sociais e motoras. Já nos grades 1 a 5, a idade mínima é 7 anos enquanto do 6 ao 8, a idade mínima é 11. Os grades 6,7 e 8 são lindos, todos coreografados do início ao fim. Uma coisa muito legal nos exames da RAD, é a oportunidade que a bailarina ou bailarino tem de aprender sobre dança caráter (russa, húngara, polonesa) também.

3- Vocational Graded Syllabus (Intermediate Foundation, Intermediate, Advanced Foundation, Advanced 1, Advanced 2, Solo Seal) – Para alunos com idade superior a 12 anos ,sendo: 12 anos para Intermediate, 13 anos para advanced foundation, 14 anos para advanced, 15 anos para advanced 2 e solo seal. Os níveis Intermediate foundation e Advanced foundation são opcionais, mas para se fazer o Advanced 2, por exemplo, é necessário ter passado pelo Advanced 1. O exame Solo Seal é somente para bailarinos que passaram com distinction no nível advanced 2. As sequências destes módulos são mais complexas e bem coreografadas.

Royal Academy of Dance- reprodução

As notas funcionam da seguinte maneira: Pass ( que é 40% a 54% da notal total), Merit (55% a 74% da notal total) e Distinction (75% a 100%). Nos grades, a partir de Merit você ganha uma linda medalha.

Os exames são sempre realizados em inglês e o examinador ou examinadora não será da sua nacionalidade. Eu, por exemplo, nos meus últimos exames realizei com uma Canadense e posteriormente com um professor Britânico.

Um detalhe muito bacana dos exames da RAD, é que todos são realizados com pianistas. Isso mesmo, você dança ao som de piano durante os exercícios.

É muito importante que você procure escolas registradas e com professores cadastrados! Veja aqui onde encontrar uma escola próxima a você!

E aí, ficou com vontade de prestar exames da Royal?! Tem mais alguma dúvida a respeito? Deixe um comentário ou mande uma mensagem. Ficarei feliz em conversar com você!

Beijos e até a próxima,

Mariana Prieto

Os benefícios do Ballet infantil

Olá, tudo bem? No post de hoje, falo sobre como o ballet traz benefícios para a criança!

O ballet é uma atividade extremamente positiva e pode trazer inúmeros benefícios para a criança. Beneficia, inclusive, no desenvolvimento das habilidades cognitivas e sensoriais por ser uma atividade considerada completa para o ensino infantil.

A importância do desenvolvimento psicomotor:

O desenvolvimento psicomotor é muito importante nos primeiros anos de vida da criança, para que possam adquirir domínio na elaboração dos movimentos pessoais e melhora na percepção de tudo que está a sua volta.

Dentro da sala de aula, o professor de ballet infantil deve ser capaz de auxiliar a criança no desenvolvimento psicomotor, realizando atividades lúdicas que melhorem sua percepção corporal, coordenação motora, lateralidade e noção espacial. Atividades estas, que se estimuladas de maneira correta, fornecerão habilidades adequadas tanto para o cotidiano da criança quanto para o ambiente escolar ou extra curricular.

O professor também deve saber lidar com as emoções da criança nesta fase de descoberta motora, e identificar os melhores recursos a serem utilizados em sala de aula. Vale usar atividades cênicas, musicais e recursos sensoriais.

Veja abaixo alguns dos benefícios que o ballet pode trazer para a criança:

1 – Melhora da coordenação motora global e fina:

Desenvolve a habilidade na criança de controlar a musculatura voltada para a execução de atividades complexas, como: andar, correr, saltar, dançar. Desenvolve também a capacidade de dominar e a trabalhar corretamente os músculos da mão.

2 – Lateralidade:

Com exercícios adequados, a criança é estimulada à conscientização dos hemisférios do corpo. Atividades que trabalham o controle dos pés, saltos, trilhas são ótimas referências para trabalhar a lateralidade e a organização espacial.

3 – Organização espaço – temporal:

Durante a aula, a criança é estimulada de diversas maneiras, seja com objetos, atividades lúdicas e música! Neste caso, a criança aprende a se situar e a se orientar perante objetos, pessoas e à si mesmo dentro da sala de aula. Ela aprende a se organizar dentro de ritmo.

4 -Disciplina e concentração:

O ballet é uma atividade que requer muita disciplina e concentração para a realização dos exercícios. Assim, durante a aula, a criança aprende a trabalhar estas habilidades de forma orgânica, com atividades e brincadeiras que as estimulem a pensar em como executá-las.

5- Trabalho em equipe:

Dentro de sala de aula, o professor de ballet infantil realiza práticas que socializem todos os alunos de maneira igual. Aprendem a dividir os objetos utilizados durante as atividades, a prestar atenção no colega enquanto o outro faz um exercício e etc.

6- Musicalidade:

Ballet não existe sem música. A criança aprende desde cedo e de forma muito divertida a compreender a diferença entre ritmos, como dançar conforme a contagem da música e claro, estimula a expressão.

São muitos os benefícios para o ballet pode trazer para as crianças!

Espero que tenha gostado!

Beijos,

Mariana Prieto

fontes>

Portal Educação e NeuroSaber

Quando iniciar e como escolher uma boa sapatilha de ponta

Olá, tudo bem?

Escolhi este tema para dar início ao blog depois de pensar muito no que poderia escrever aqui. Uma das coisas que mais escuto das minhas alunas que estão chegando na idade de usá-las é: “Prô, quando eu vou poder usar ponta?”. Ou dos meus alunos adultos que sempre têm dúvidas em como escolher uma boa sapatilha, que se adapte bem e que tenha uma boa performance.

Pois bem, vamos então falar um pouco sobre as temidas, adoradas e tão sonhadas sapatilhas de ponta?! (cuidado que lá vem textão)

Alguns registros históricos, apontam que a sapatilha de ponta começou a ser usada de fato por Marie Taglioni, bailarina italiana, que uso a sapatilha em apresentações completas. Existem relatos de uso anterior à ela, porém aparições breves. A sapatilha de ponta surge com a ideia de mostrar mais leveza e imagem mais alongada.

Marie Taglioni (1804-1884)

Quando começar o trabalho nas pontas?

Quando uma menina ingressa ao ballet, um dos maiores sonhos é usar a ponta e a ansiedade para que este dia chegue é enorme! Todavia, uma coisa que friso muito no ballet é: Paciência. Cada estágio que vivenciamos nos estudos do ballet clássico, deve ser vivido de maneira plena e consciente.

Como professora, recomendo o início do uso de sapatilha de ponta depois dos 12 anos e com estudo mínimo de três anos, a menos que a aluna tenha formação óssea estabelecida para tal, consciência motora e técnica clássica.

O profissional da dança deve ter uma responsabilidade muito grande nesse momento e analisar detalhadamente o perfil do aluno antes do início dos trabalhos nas pontas, alinhando a idade com a técnica pré-estabelecida. A criança, por estar em desenvolvimento ósseo corre riscos de lesões caso não seja trabalhada corretamente. Por isso friso muito na questão da responsabilidade do profissional.

A aluna possui os pré-requisitos para o início dos trabalhos?

A etapa seguinte é a escolha da sapatilha. Eu recomendo sempre o uso de sapatilhas macias. Meus últimos anos de aperfeiçoamento foram com a Royal Academy of Dance e neste método, usamos a sapatilha soft (ou pré-ponta). Não é uma sapatilha que você pode usar no centro e executar sequências na ponta, ela é extremamente macia e portanto é usada na preparação e fortalecimento dos pés e tornozelos para que posteriormente seja iniciado o uso das prontas efetivamente. Eu gosto muito deste modelo da Royal porquê se alinha perfeitamente com minha visão profissional sobre o assunto: A aluna deve vivenciar plenamente e com consciência cada etapa técnica em sua vivência com o ballet. Na Só Dança, por exemplo, podemos encontrar o modelo Prima (pré ponta), modelo Grisi (para estudantes) e a partner estudanteeeee, da Capezio:

Conforme a bailarina desenvolve suas habilidades, o professor será capaz de auxiliar na escolha da próxima sapatilha, com um pouco mais de dureza. Até que, por fim a bailarina atinja sua maturidade corporal e esteja apta à usar sapatilhas profissionais e de alta performance.

Início das pontas no ballet adulto, como proceder?

Quando um aluno começa o ballet na fase adulta, tudo pode parecer muito complicado, difícil e exaustivo. Mas nada é impossível e com o auxílio do professor, o aluno pode obter excelentes resultados.

Diferente de uma criança, o adulto já tem mais consciência corporal e a estrutura óssea e muscular já está completa. Nestes casos, podemos passar a parte da pré-ponta e dar início ao uso de pontas mais macias e de acordo com o formato do pé. Costumo iniciar o trabalho com as pontas em alunos adultos após dois anos de prática com o ballet clássico.

tipos de pés. Imagem: reprodução Google.

Pé Grego: Possui o segundo dedo maior que os demais. O melhor formato para este pé é o ligeiramente afilado, não pode ser muito estreito nem largo o box. Ele deve ter uma forma que se adapte aos dedos mas que alivie também a pressão do dedo médio, que é maior que o restante. Modelos de sapatilha para pé grego:

Pé egípcio: O dedão é maior que os demais dedos. Modelo ideal: Afilado , cônico. Este modelo exerce pressão no dedão do pé, assim distribuindo o peso para os menores. Modelos de sapatilha para pé egípcio:

Pé quadrado: Os dedos são do mesmo tamanho. Um box quadrado neste caso, auxilia a distribuição do peso entre todos os dedos. Modelos para pés quadrados:

Meu pé é egípcio e pra mim não há melhor sapatilha que a Gaynor. Funciona perfeitamente para o meu pé.

Qual é a sua sapatilha?

Beijos, Prô Mariana Prieto

Fontes: Site Só dança e Dance Spirit.